Fragmentos de existências em resistência: gênero e sexualidade em cena no Grupo Andaluz de Teatro do IFRN/MO

Resumo

Os estudos de gênero vêm promovendo, desde a década de 1960, uma série de discussões e pesquisas que têm se dedicado à desnaturalização das formas sociais pelas quais enquadramos expressões de gênero e sexualidade. Esse movimento se dá contra um projeto social com fortes implicações na escola que estabelece no gênero as relações de poder. Diante disso, a presente dissertação objetiva analisar, a partir das narrativas autobiográficas, as percepções e construções subjetivas sobre gênero e sexualidade de discentes LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis, Queer, Intersexuais, Assexuais e todas as demais nuances de gênero e sexualidade), integrantes do Grupo Andaluz de Teatro (IFRN/Mossoró), no processo de montagem do espetáculo “Fragmentos da Dor” (2015 a 2018). De abordagem qualitativa, compreendida a partir dos escritos de Bogdan e Biklen (1994) e Lüdke e André (1986), nosso trabalho se utiliza da pesquisa autobiográfica como método, ancorando-nos em referências como Nóvoa e Finger (2010); Passeggi (2011; 2014); Larrosa Bondía (2004) e Bourdieu (2006). A constituição dos dados aconteceu a partir de entrevistas narrativas e, para elaboração dos roteiros, debruçamo-nos sobre a obra de Jovchelovitch e Bauer (2002). Dessa forma, buscamos estimular entre as/os três discentes entrevistadas/os a narração de experiências de vida pessoal e acadêmica que tenham significados no seu processo de percepção e elaboração das noções de gênero e sexualidade durante a montagem do espetáculo “Fragmentos da Dor”. Uma vez concluída a coleta e construção dos dados, esses foram analisados considerando o papel da escola no processo de elaboração das subjetividades das/dos estudantes. As categorias de análise que emergiram com maior intensidade no trabalho dizem respeito à dificuldade de reconhecer a si mesma/o como pessoa LGBTQIA+ e ao processo de construção dessa identidade; a violência, o estigma e a exclusão como parte de suas vivências escolares nos anos iniciais; o medo, a angústia e os processos de adoecimento mental vivenciados; a escola como espaço de reprodução de violências; as lutas solitárias, na condição de pessoas invisibilizadas, tendo a visibilidade atrelada ao contexto em que são colocadas em situações de vulnerabilidade e exclusão ou sendo alvo de piadas e chacotas. Essas narrativas nos apontam caminhos para repensar práticas que têm reforçado a normatividade de gênero e sexualidade na escola e produzido uma cultura de micro e macro violências diárias contra pessoas LGBTQIA+.

Descrição

Citação

LOPES, Maria Luiza Soares. Fragmentos de existências em resistência: gênero e sexualidade em cena no grupo Andaluz de teatro do IFRN/MO – Mossoró. 146 p. Dissertação - Programa de Pós-graduação em Ensino - Posensino – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Mossoró, 2022.

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