Queer e ambivalência na adaptação fílmica “Deixe Ela Entrar”: uma análise da tradução do romance gótico de John Ajvide Lindqvist para o cinema
Carregando...
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
Esta pesquisa tem como objetivo geral analisar a adaptação fílmica Deixe Ela Entrar, dirigida por Tomas Alfredson, em relação ao romance sueco homônimo escrito por John Ajvide Lindqvist, sob a perspectiva dos Estudos da Tradução de base pós-moderna, dos estudos do gótico contemporâneo, dos Estudos do queer e do gótico queer em relação à representação do monstro gótico vampiresco como um veículo de tradução da identidade de gêneros dissidentes. A adaptação fílmica explora temas de isolamento, construção identitária e afetos em meio a um cenário gótico, carregado de suspense e drama. A análise examinou como o corpo, o gênero e a sexualidade são traduzidos e representados por meio da personagem Eli, um ser vampiresco imortal, e Oskar, um menino solitário, bem como nos laços afetivos de ambos os protagonistas. Por meio da ambientação gótica, dos personagens protagonistas Eli e Oskar, e do monstro ambivalente vampiresco Eli, a adaptação Deixe Ela Entrar consegue traduzir a identidade queer da obra literária homônima e também representá-la nas telas. A análise se concentra em como a figura do monstro gótico representa a identidade queer, sendo tal monstro utilizado como uma forma de tradução e representação dos sujeitos queers na adaptação fílmica. Eli, que desafia as normas de corpo, gênero e sexualidade, personifica uma identidade fluida, representando o outro e o diferente na sociedade heteronormativa. Além disso, a relação entre Eli e Oskar, que vai além das barreiras da idade e da mortalidade, pode ser interpretada como uma expressão do desejo queer, destacando a capacidade do cinema de traduzir experiências e identidades marginalizadas para um público mais amplo. A metodologia da pesquisa é qualitativa, empregando a abordagem analítica-descritiva. Nesse contexto, examina-se como as escolhas estéticas, estilísticas e narrativas na adaptação moldam ou reforçam a compreensão do texto literário. A análise de Deixe Ela Entrar ilustra como o cinema pode ser um meio para dar visibilidade e voz às identidades queer na contemporaneidade, enquanto utiliza a representação do monstro gótico para traduzir essas identidades de forma complexa e provocativa. Assim, a pesquisa demonstra que a adaptação fílmica Deixe Ela Entrar não apenas retrata a atmosfera gótica do romance, mas também traduz as complexidades da identidade de gênero, corpo e sexualidade por meio da figura do monstro vampiresco. Ao fazer isso, a adaptação se afirma como um meio de tradução cultural e visual das vivências queer, refletindo sobre normas estabelecidas por instancias sociais e proporcionando uma nova leitura sobre a construção de corpos e afetos dissidentes. Dessa forma, a obra fílmica expande o alcance das discussões sobre identidade marginalizada, oferecendo ao público uma interpretação complexa e provocativa da identidade queer por meio das semioses do cinema.
Descrição
Palavras-chave
Citação
PACHECO, Weslley Mayron Cunha. Queer e ambivalência na adaptação fílmica “Deixe Ela Entrar”: uma análise da tradução do romance gótico de John Ajvide Lindqvist para o cinema - Mossoró/RN. 169 f. Dissertação de mestrado (Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem - PPCL) - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Mossoró, 2024.
